Uma análise publicada pela Bloomberry tentou responder a uma pergunta simples: quem já está anunciando no ChatGPT?
O estudo não usa uma lista oficial da OpenAI. Como a empresa não divulga seus anunciantes, a Bloomberry procurou um sinal técnico: o código de atribuição usado pelo ChatGPT Ads para medir resultados. A equipe analisou os sites de cerca de 2 milhões de empresas e encontrou esse código em aproximadamente 15 mil delas.
É uma forma interessante de estimar a adoção, mas tem limitações. A presença do código indica que a empresa configurou a mensuração do ChatGPT Ads, mas não permite saber quanto ela investiu, quanto tempo está anunciando ou se a campanha teve bons resultados. Além disso, a pesquisa parte de uma base específica de empresas e não representa todo o mercado.
Mesmo com essas ressalvas, os números ajudam a entender quem está testando esse novo canal.
Tecnologia está na frente
Entre os anunciantes identificados, empresas de software e SaaS aparecem com bastante força. Elas representam 17% dos anunciantes, contra 3,3% na base geral analisada pela pesquisa.
Empresas de internet, publicidade, hotelaria e varejo também aparecem acima do esperado. Ou seja, não é apenas uma história de startups de tecnologia. Outros setores já estão começando a testar o formato.
Outro ponto interessante é o tamanho dessas empresas. Os primeiros anunciantes não são apenas pequenas startups. Empresas de médio e grande porte também aparecem com força, principalmente aquelas que já possuem equipes de marketing e estruturas de mensuração.
E o Brasil?
É aqui que a pesquisa fica especialmente interessante para nós.
O Brasil aparece com um over-index de 2,5 vezes entre os anunciantes do ChatGPT. Foram identificadas mais de 500 empresas brasileiras na análise.
Em termos simples: proporcionalmente ao tamanho da base brasileira no estudo, existem mais empresas do Brasil testando ChatGPT Ads do que seria esperado.
Isso não significa que o Brasil seja um dos maiores mercados em volume absoluto. Os Estados Unidos ainda representam cerca de 49% dos anunciantes identificados.
Mas o número brasileiro chama atenção porque mostra que o mercado local está experimentando a plataforma relativamente cedo.
O que isso pode significar para a mídia?
Ainda é cedo para dizer que o ChatGPT vai tirar investimentos de Google, Meta ou outras plataformas.
A pesquisa mostra sobreposição de anunciantes, não migração de orçamento. Por exemplo, 2,5% dos anunciantes do Google identificados na base também utilizavam ChatGPT Ads. No Facebook, eram 1,4%. No TikTok, 4%.
Isso parece mais com uma fase de experimentação.
As empresas estão adicionando uma nova possibilidade ao seu mix de mídia para entender se existe demanda, qual público responde melhor e como medir os resultados.
Para o mercado brasileiro, essa talvez seja a parte mais importante da história.
Não estamos diante de uma substituição imediata dos canais tradicionais. Estamos vendo o surgimento de mais um ambiente de mídia, com uma dinâmica diferente das redes sociais, da busca e da publicidade programática.
E, como aconteceu com outros novos canais digitais, os primeiros anunciantes provavelmente serão aqueles dispostos a testar, medir e aprender antes de decidir quanto esse novo espaço realmente merece dentro do planejamento de mídia.
Fonte: Henley Wing Chiu, Bloomberry, Who’s buying ChatGPT ads? I analyzed 15K advertisers, publicado em 29 de setembro de 2026.